10.3.10




Abaixo o "por" antes do nome do autor! (repeteco)

Ainda faltava migrar este artigo, de 11 de janeiro de 2006, que estava no Multiply:

Os outros textos que falam do maldito por, estão aqui:
http://translationpoint.blogspot.com/search/label/maldito%20por

O Luiz Karol foi tão claro e conciso, que é preciso divulgar a explicação dele: 

Os argumentos são simples

Do ponto de vista diacrônico:

Em latim, escrevia-se o nome do autor, no genitivo, anteposto ao nome da obra. "Virgilii, Aeneis". Esse caso (genitivo), na evolução do latim para as línguas românicas, foi substituído pelo ablativo regido pela preposição "de", e trocou-se a posição dos termos. ficamos com "A eneida, de Vergílio", ou simplesmente "Eneida/Vergílio", que é mais usado.

Do ponto de vista sincrônico:

Dizem os defensores do "por" que existiria um verbo elíptico: "Iracema (escrita) por José de Alencar". Essa argumentação, entretanto não encontra amparo no estilo da língua, tendo em vista que o verbo elíptico, por excelência, em nossa língua (e nas demais línguas neolatinas), se não houver outro verbo anteriormente explícito, é o "ser".

Do ponto de vista lógico-filosófico:

O preceito da navalha de Ockahm nos diz que havendo dois conceitos de mesma eficácia e eficiência, devemos escolher o mais simples. Portanto, entre Eneida escrita por Vergílio e Eneida de Vergílio, é mais econômico ficar com o segundo.

Para arrematar, "A, por B", estamos carecas de saber, é tradução literal de "Ei bai Bi", e não tradição literária em nossa língua

Faltou somente o argumento semântico (que de certa forma se liga ao diacrônico):

A preposição "de", entre dois termos sem verbo, estabelece uma relação semântica, em que o termo regido pela preposição é colocado em situação de superioridade ao termo principal, denotando origem, posse, circunscrição, causa eficiente, etc.: "Luiz de Niterói", "A casa de Paulo", "A nona de Beethoven". Tratamos aqui de frases nominais.

A preposição "por", nas mesmas condições, estabelece relações de substituição "Seis por meia dúzia", "um pelo outro", etc. Só estabelece outras relações, em casos em que o verbo se torna indispensável: "Teve Machado por modelo", "Passou por dissabores", etc., e indica a causa eficiente somente na voz passiva: "A nona foi composta por Beethoven", que compõe tipos de frases em que não se pode elidir o verbo principal.

Portanto, nas frases nominais que indicam autoria (causa eficiente) a preposição por excelência, na Língua Portuguesa, é "DE"!

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