16.8.08




Anglicismo Semântico du Jour

Vamos apostar quanto tempo leva para que a nossa velha conhecida cama elástica passe a se chamar trampolim?

Quem dá mais?

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2.12.07




Decalcomania Du Jour

Tenho visto por aí a mania generalizada de fazer decalque do inglês em coisas que, em português, ficam com o signifcado oposto ao que teriam se em inglês estivessem.
Os neurônios dos brasileiros que fazem isso já foram devorados pelas leituras de inglês e de decalques.
Exemplo: Eu não poderia concordar mais. Em português, isso SEMPRE quis dizer que a pessoa um dia concordou e agora parou de concordar em razão de algum impedimento. Os autores dessas frases em português pretendem fazer decalque do inglês I couldn't agree more, mas pouco sabem tanto de inglês quanto de português. Caso soubessem, fariam a devida modificação que transformasse o I couldn't agree more em frase de teor semelhante em português. Em geral, o lusófono que não fosse decalcomaníaco, diria Concordo plenamente ou frases parecidas, de acordo com a tradição e a índole do vernáculo.

Cuidado com o decalque irrefletido, minha gente!

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17.5.07




Tudo em excesso mata

Escrevi o texto abaixo em 21 de agosto de 2000. Agora o português esquisito já está em todas as bocas, e não só na escrita. É doloroso ver a sintaxe inglesa se infiltrar e enfear tanto o português.

Quem diz que a dose excessiva de inglês não é letal deve achar bonito abrir o caderno de informática do Estadão e ver:

Cuidados devem ser tomados ao desinstalar programas do Windows.

Tem gosto pra tudo! Pode ser que exista gente aí achando bonito e idiomático o enunciado acima. Pois eu acho um horror! Pelo menos a história de Asterix entre os gauleses é engraçadinha. Já um título de matéria jornalística tão horroroso só dá vontade de fechar o jornal e nunca mais voltar a ler. O jornal é brasileiro e a matéria está na seção "Falha Geral", em resposta à carta de um leitor. Era de se esperar que essa resposta fosse escrita em português, pois não? É por aí que vemos um buraco muito mais embaixo do que o simples zelo pelo léxico e pela gramática. O enunciado acima não tem erro ortográfico nem gramatical. Mas parece o Tarzan falando com a Chita! A frase, ao passar por máquina de tradução, vai redondinha para o inglês, bem certinha e bonitinha.

É claro que preciso admitir que não pode haver lei no mundo que acabe com situações como essa, cada vez mais comuns. Estamos os brasileiros escrevendo em formato de máquina de tradução, remando contra a índole da língua, tudo isso em conseqüência da intoxicação de inglês em todos os veículos de comunicação de massa. O que fazer?

Não sou xenófoba e acho que a influência do jazz foi uma maravilha, pois gerou um filhote chamado bossa-nova, que invadiu o mundo inteiro com o nome original: ninguém conseguiu traduzir. Existem tantas palavras intraduzíveis! O livro "Palavras sem Fronteiras" é um verdadeiro tijolaço! Além disso, pela aberração que vemos acima, que já virou praga, dá para perceber que o problema é muito mais grave do que a simples importação de palavras. Posso muito bem usar uma ou outra
palavra estrangeira e ainda assim falar português (quem aqui não gosta de comer um quibe ou um sushi de vez em quando?). Deixo de falar português quando começo a usar palavras do léxico português e amontoá-las em construções esquisitas, desajeitadas, estranhas.
É exatamente o mesmo que escrever "I like of you". Usei palavras em inglês, não usei?
Mas "I like of you" é inglês?
Gimme a breeeeeak! (Me dá um breque?) Os brasileiros estão escrevendo com sotaque de gringo! Que nome dar a isso? Complexo de inferioridade? Exílio dentro de casa? Burrice?

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5.5.07




Anglicismo semântico du jour - 5/5/2007

A influência de search for sobre o verbo buscar resultou num aleijão feiíssimo: buscar por. De poucos anos para cá, mais precisamente depois da invenção dos "search engines" na Internet, os brasileiros, despreparados para as novidades e - há muito tempo - sem conhecimentos suficientes do vernáculo, além de sofrer as conseqüências da velha tradição brasileira que acha feio consultar o dicionário, resolveram que o verbo buscar precisa da preposição por só porque o search precisa de for. Tenho, porém, uma péssima notícia para os macaquitos: o verbo buscar não precisa desse por, que, além do mais, é muito feio!

Essa mania ridícula de enfiar preposições inglesas onde não existem está transformando uma das mais belas e ricas línguas em arremedo horroroso do inglês. Enfiar por onde não existe dá dor de ouvido! Quando ouço na TV os colonizadinhos (Jô Soares, por exemplo) americanizando o português, além de sentir dor de ouvido ainda fico com o estômago revoltado.

Vejamos o que diz o dicionário de regência verbal:

BUS.CAR

v.t. 1. Procurar. 2. Investigar; pesquisar. 3. Examinar; revistar. 4. Tratar de obter; tentar. 5. Ambicionar; cobiçar.

REGÊNCIA VERBAL

BUSCAR

TD(I): buscá-lo (em, entre…). Tratar de adquirir, obter, conseguir; tratar de achar, descobrir ou encontrar: "Quem busca trabalho tem comida no borralho" (Provérbio). "Não busques o pão no focinho do cão" (Provérbio). Busquei-o entre os colegas e não (o) achei.

Tratar de trazer ou levar: Manda buscar os livros.

Dirigir-se para: Os rios buscam o mar.

Procurar conhecer; investigar, pesquisar: Buscar a causa de certos fenômenos.

Revistar, esquadrinhar: Buscou a casa toda.

Empenhar-se em, esforçar-se por, procurar: "Buscamos resolver o problema" (Jucá).

Recorrer a, procurar: Buscou a ajuda dos amigos.

Imaginar, idear (maneiras, saídas, etc.); inventar (pretextos, desculpas).

(Dicionário Eletrônico Luft, Editora Ática)

Digam-me, depois de ler o verbete acima, de onde saiu essa praga do buscar por? Exatamente do search for. E os tradutores improvisados que nunca traduziram search for por buscar por, dêem um passo à frente. Como? Ninguém deu um passo à frente? Todos já macaquearam o search for impunemente? E qual é a desculpa? Preguiça mental? Ignorância? Falta de dicionário para consultar?

O excesso de leitura de textos em inglês ou mal traduzidos em português (mais de 90% do que se lê na Internet) ou na literatura de quinta e na imprensa acaba levando aqueles que não conhecem a boa literatura a imitar o que lêem. Num país onde, não sei por que, criaram o tal mito de que é feio consultar dicionários e enciclopédias, também é feio ler bons livros, pois o bom português se tornou constrangedor neste país de analfabetos funcionais.

O pior disso tudo é a agressividade dos que recebem um toque a respeito dessas regências canhestras, que estão transformando a nossa língua em arremedo do inglês. O português e o inglês têm DNA diferente, provêm de troncos distintos e cada uma tem lógica própria, bem diferente da lógica da outra. Forçar a índole do português a ser igual à do inglês é o mesmo que obrigar vacas a voar.

Os colonizadinhos não vêem nada de errado em forçar a barra das regências verbais e impor a elas as regências inglesas, o que dá origem a esses monstrengos como buscar por e todas as outras regências forçadas e feias. Mas esses mesmos tradutores acham muito natural que um verbo transitivo indireto em português (por exemplo, gostar – regência: gostar de) se torne transitivo direto em inglês (like – não existe "to like of"). Será que alguém saberia dizer qual é o motivo dessa lógica perneta? Quando vertem para o inglês os brasileiros se esforçam por não errar na regência, mas quando traduzem do inglês para o português impõem ao português a regência inglesa. Insisto na pergunta: Por que os brasileiros não dizem I like of you? Se não fazem isso, por que dizem buscar por? Dois pesos e duas medidas?

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27.6.06




Anglicismo Semântico du Jour - 26-6-2006 - Evidência

Muito já escrevi a respeito do anglicismo semântico "evidência", mas, como não sou nenhuma otoridade em nada, a tchurma sem noção continua usando a palavra com o sentido inglês, inclusive os macaquitos que trabalharam na criação do Dicionário Houaiss. Vou copiar, então, a opinião do Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, onde escrevem muitas autoridades no assunto.

Tema: O anglicismo semântico “evidência”
Pergunta/Resposta
Em nossa labuta diária, deparamo-nos com dúvidas atrozes e singelas, onde nossa certeza de bem usar a última flor do Lácio é diuturnamente ameaçada pela barbárie.
Eis o motivo da indagação que ora lhe apresento, mediante o seguinte enunciado:
O Dicionário Eletrônico Houaiss 1.0 nos diz que a expressão "evidência" tem como primeiro sentido «qualidade ou caráter de evidente, atributo do que não dá margem à dúvida» e, como terceiro sentido, «aquilo que indica, com probabilidade, a existência de (algo); indicação, indício, sinal, traço». Assim, num texto técnico, p. ex., na frase «Nossos trabalhos nos trouxeram evidência de superfaturamento», é seguro afirmar que a palavra "evidência" pode ser substituída por "prova", ou seria mais adequado substituí-la por "indício"?
Muito obrigado!
Murillo Sérgio de Farias Félix
Brasil


Evidência, no sentido que aponta, é um anglicismo que se deve evitar.
É, de facto, prova o termo correcto nestes casos e ainda noutros, como na justiça, em que os Ingleses também usam "evidence" com o significado de prova.
F. V. P. da Fonseca


(in: http://ciberduvidas.sapo.pt/php/resposta.php?id=15887)

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